Crise hídrica
Abastecimento de água está comprometido em Bananeiras e Solânea, confirma Cagepa

Publicado em 02/08/2021 17:57 Atualizado em 03/08/2021 11:32

Reprodução

A vida de dona Dalvanira Andrade é juntar água no quintal em vários recipientes para poder fazer as tarefas de casa. A rotina desgastante da costureira é no bairro Santa Mônica, em Solânea, na Paraíba, cidade que sofre com uma crise severa no abastecimento devido à estiagem. Água nas torneiras é só de vez em quando.

“O carro pipa deixa na caixa e a gente traz para cá. A Cagepa está ligando de quinze em quinze dias. Banho de chuveiro aqui ninguém pode tomar”, declara Dalvanira Andrade, costureira.

Por conta da crise do abastecimento, a prefeitura de Solânea instalou reservatório de mil litros em vários pontos da cidade. A Cagepa faz o abastecimento deles duas vezes por semana e os moradores vêm com baldes para levar o que conseguirem para casa. Quem não for rápido, pode ficar sem água.

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A situação é a mesma em Bananeiras, ao lado de Solânea. Alvarita de Melo diz que está gastando bastante com a compra de água de caminhões-pipa. Com isso, ela consegue encher os reservatórios de casa para ter mais tranquilidade.

“O carro pipa, 150 reais, então é toda aquela dificuldade. Além disso, a água não é tratada. Os vasos sanitários ficam todos amarelados, mas a gente se sujeita para sobreviver à situação”, diz a professora Alvarita de Melo.

A Cagepa enviou para a TV Cabo Branco imagens que mostram o motivo da crise hídrica que atinge cidades do Brejo paraibano, como Bananeiras e Solânea. A barragem de Canafístula II, responsável pelo abastecimento, está praticamente seca. De acordo com a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), da capacidade total, de 4 milhões de m³, não restam nem 3%.

Água está sendo captada de reservatório já em volume morto, na Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Água está sendo captada de reservatório já em volume morto, na Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Segundo a Cagepa, nos últimos oito anos de poucas chuvas, os açudes que abastecem o Brejo não acumularam mais do que 35% da capacidade total. E este ano o período chuvoso tem sido muito fraco. A situação de abastecimento em muitos municípios da região já é de colapso.

De acordo com Edson Almeida, Gerente Comercial da Cagepa no Brejo, 18 cidades estão em regime de abastecimento e colapso. “O canal de Canafístula I abastece cinco cidades e já está entrando em colapso. Essa semana é o último ciclo de abastecimento, já estamos captando no volume morto. O canal de Canafístula II atende Solânea, Bananeiras, Cacimba de Dentro, Araruna, Dona Inês, Tacima, Richão e Damião. Solânea de Bananeiras estamos abastecendo de forma quinzenal”, explica.

João Marcos é aluno do curso de geografia da UEPB. Morador de Solânea, ele estuda a crise hídrica na região e lembra que o problema se tornou maior com o tempo por falta de investimentos nos recursos hídricos do Brejo.

“É uma região economicamente ativa, comércio forte, uma região que vive também do turismo, e a falta d’água impacta muito essa questão econômica”, detalha João Marcos.

 

G1


Postado por Redação

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