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Nice Almeida /
Postado em 28-10-2014 às 12:09
O que eu vi das eleições

Eu tinha apenas seis anos de idade, mas aquela imagem ficou para sempre gravada em minha memória. Lembro-me de ver meu pai atento, quase hipnotizado, assistindo ao Jornal Nacional e aquela imagem refletida em seus olhos - ainda em preto e branco - me aguçou a curiosidade.

- Pai, o que é isso que está acontecendo e porque as pessoas estão chorando tanto? - perguntei.

Recordo-me nitidamente da resposta.

- Isso aí filha é o velório do homem que iria governar o Brasil depois de anos de uma ditadura que massacrou os brasileiros. Ele morreu sem conseguir assumir a presidência.

Tratava-se naquele instante da morte de Tancredo Neves. Era janeiro de 1985 quando, após o fim do regime militar, Tancredo foi eleito presidente do Brasil pelo voto indireto de um colégio eleitoral. Mas o destino, impecável como sempre, não permitiu que ele assumisse o cargo. No dia 14 de março do mesmo ano, véspera da posse, Tancredo foi dado oficialmente como morto vítima de diverticulite.

Em seu lugar José Sarney entrou em cena e se tornou presidente da República do Brasil. O mandato dele, no entanto, não me traz boas lembranças. Nos anos de 1986 e 1987 a economia do Brasil deixava a todos em polvorosa. A inflação quase nos levava ao extremo da miséria e mesmo quem tinha condições financeiras mais avultadas sentia fortes dores de cabeça.

Recordo de ver donos de supermercados fechando as portas e escondendo a carne para vender apenas quando os preços fossem remarcados. E os preços eram remarcados sempre. Aquela maquininha infame de remarcar preços (quem não lembra dela) não parava um só instante de funcionar. Era preciso ter funcionários apenas para esse serviço.

Bem! O tempo foi passando, a crise cada vez mais aumentando e surgiu, aqui no Nordeste, um novo 'modelo' de político. "O caçador de marajás". E 1989, Fernando Collor de Mello vira o novo fenômeno brasileiro e se elege, pelo voto direto do povo ( o primeiro após a ditadura), o novo presidente da República.

Poucos meses depois a posse ele revelou que, se era caçador, a única coisa que sabia caçar era o dinheiro da caderneta de poupança dos brasileiros. Foi um alvoroço, uma tristeza, uma loucura. Quantas pessoas morreram por conta do dinheiro que foi literalmente caçado por Collor e sua equipe econômica.

O arrocho financeiro dominava as famílias brasileiras e destruía muitas delas que viviam na miséria sem ter nem ao menos o feijão com arroz para comer. A política econômica de Collor resultou na extinção, em 1990, de mais de 920 mil postos de trabalho e uma inflação na casa dos 1200% ao ano.

Em 1992, envolto em uma série de denúncias de corrupção feitas pelo próprio irmão, Pedro Collor, o presidente renunciou ao mandato antes de ser cassado por meio de um impeachment (foi literalmente o dia da caça). Itamar Franco sobe ao posto de presidente, já que ficou a cargo do visse estancar a sangria.

E Itamar assim o fez. Chamou o feito a ordem, montou uma equipe econômica com a determinação de que o Brasil tinha que mudar a todo custo.

Veio, então, o plano real sob o comando do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, a partir de idealização do economista Edmar Bacha, que estabilizou a economia e acabou com a crise hiperinflacionária do país.

Fernando Henrique então virou presidente da República, foi reeleito, e a estabilidade por fim foi sendo apresentada ao país. Com ele também vieram alguns programas assistenciais que foram, aos poucos, reduzindo a pobreza.

Em 2002 o Brasil começa uma nova história. E no dia 1º de janeiro de 2003 eu vi uma lágrima rola em meu rosto de emoção. Um operário saído do sertão pernambucano em cima de um caminhão pau de arara, assim como meu avô e meu pai, assumia a presidência do país. Lula enfim alcançava o maior posto político brasileiro depois de três derrotas nas urnas.

Foram oito anos de uma transformação profunda que culminou na definitiva estabilidade econômica e na mudança de vida dos brasileiros. Por mais que alguns não queiram admitir, o governo Lula fez o nosso país crescer não só economicamente, mas também em termos de reconhecimento de países conhecidos por serem potência mundial.

E Lula trouxe Dilma. E Dilma se reelegeu. E ela se reelegeu com o meu voto. Porque eu vi a minha vida ser totalmente transformada depois do governo Lula-Dilma. E vi minha vida ser transformada mesmo sem nunca ter precisado do Bolsa Família e nem de financiamentos para custear uma faculdade.

E, por mais, que critiquem os programas assistenciais - criados no governo tucano de FHC  e aprimorados no governo petista - são esses programas que têm tirado o Brasil da miséria, são eles que têm feito com que milhares de brasileiros nunca mais sejam obrigados a comer calango e nem palma, como bois desgarrados.

Nice Almeida 
Jornalista - DRT 2660

Por: Nice Alemida
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